Esnobar
É exigir café fervendo
E deixar esfriar.
Hoje eu acordei com medo. Engoli seco, cerrei os olhos, custei levantar. Acordei com um medo impossível. Medo de andar e cair, medo de atravessar a rua, medo de deixar de respirar de repente, medo do coração parar de bater. Senti medo do tempo. Medo de que os dias não te tragam. Medo de acordar todos os dias, olhar para o lado da cama e não te ver mais. Que agonia, amor. Que desespero. Preciso tanto de uma voz que me conforte, que me afague a alma sem arranhar, preciso de dormir em braços quentes que me protejam do vento e da saudade. Volta depressa. Tá dando medo ficar sozinha. Hoje eu acordei me sentindo uma garotinha presa em um quarto escuro. Traz nossas estrelas pra clarear o breu, traz você de volta e faz o medo passar. Vem que eu preciso dizer o tamanho do amor que não me deixa.
— Sempre sua, Cecília.
Já não sei mais se é amor,
já não sei mais se é dor,
agora a unica coisa que me resta é perguntar,
como um dia eu pude te amar?
— Flutuar-se
E o que fazer pra prolongar tua chegada? Pois um beijo não me bastaria, um abraço ainda seria pouco, passar do crepúsculo à alvorada mergulhada nos teus olhos, deitada ao teu lado na cama ainda me pareceria tempo curto demais. Tento dizer que o queria muito, mas é além disso. É mais intenso que só querer, é mais desesperado, mais necessitado. Qualquer espaço de tempo que não fosse a eternidade, seria como oferecer 100 gramas de presunto à um leão que passara três dias no deserto. Entende o quanto é tanto? É querer em demasia e não faz o menor sentido. E o que eu faço enfim, para prolongar tua estadia? Te ofereço mais um café, biscoitos talvez? Uma taça de vinho, uma boa música, um silêncio inteiro olhando pela janela, dividir dois ou três cigarros… te pedir mais um beijo e sussurrar num sopro morno caminhando entre tua nuca e orelha e acordando teus pelos: “fica?”…
— amor, Cecília.
Me ver, me achar no seu olhar pra entender o que é o gostar.
— Tiê